Os escritores vão desaparecer?
- Associação das Letras

- 9 de mar.
- 2 min de leitura

O mundo ganha voz com a evolução. Um cidadão comum pode se fazer ouvir em qualquer canto do planeta, com um pequeno objeto que cabe na palma da mão. A propagação de ideias e conhecimento está experimentando um novo salto de progresso, como ocorreu em fevereiro de 1455, na cidade de Mainz, Alemanha, quando Johannes Gutemberg concluiu e publicou o primeiro livro impresso no Ocidente, usando sua invenção de tipos móveis, que marcou o início da produção de livros em massa. Mas hoje, este progresso oscila sob a influência de muitas variáveis, entre capacidade de escrita, conhecimento gramatical e honestidade intelectual.
Da pena à máquina de escrever; ao teclado do PC com suas possibilidades maravilhosas de correção, o ato de escrever ganhou muito mais agilidade. Hoje, independente dos recursos, se outrora escritores e poetas deleitavam-se com suas musas, engravidando o papel com suas tintas inspirados na poesia, atualmente olhares atentos, daqueles leitores iluminados por Bilac, Machado de Assis, Aldous Huxley, Cecília Meireles, Dostoiévski, entre tantos poetas e gênios literários, começam a perceber a pobreza nos versos mesquinhos daqueles autores que deram as costas à Calíope, Érato, Melpômene ou Clio, vencidos pela preguiça intelectual que hoje é afagada pelas facilidades dos GPTs e afins. Vão se servir nos self service da escrita e em segundos tornam-se especialistas delivery sobre assuntos que exigiriam anos de estudo, pesquisa e dedicação daqueles que encaram a profissão como um sacerdócio e renunciam grande parte dos prazeres e futilidades, para desvendar mistérios em busca do verdadeiro sentido dos fenômenos ou o significado das palavras.
As plataformas de IA estão se convertendo em fast food de conteúdos clichê e os autores que se servem deles, apresentam textos obesos, mas desnutridos, enquanto acreditam que seus leitores atentos, consomem pensando degustar um prato servido à lá carte.
Ledo engano.
Texto do Associado: Romualdo Vicente de Ramos




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